equipe multidisciplinarOlá Pessoal, hoje o que eu queria falar com vocês é sobre a Intervenção ABA e as Equipes Multidisciplinares. Bom quando as crianças saem de um consultório de um Neuropediatra ou Psiquiatra Infantil na rede Privada as famílias saem com uma lista de profissionais que a criança necessita para a sua intervenção, geralmente nessa lista tem:

  1. Psicólogo Comportamental  – O que está passando da hora de mudar para Analista do Comportamento, Psicólogo Comportamental não necessariamente é Analista do Comportamento atuando com Intervenção ABA, ok? Mas isso é assunto para outra conversa.
  2. Fonoaudiólogo – Adianta qualquer fonoaudiólogo?  Nãooooo…. Tem que ser da faixa etária que você procura o público alvo do Profissional, e para os casos de Autismo alguém especialista em Linguagem, se for apraxia de fala  alguém que entenda do assunto Ok? A Fonoaudiologia é ampla ninguém consegue abraçar o mundo.
  3. Terapeuta Ocupacional – Especialista em Desenvolvimento Motor e Integração Sensorial, são as linhas mais adequadas para o tratamento com crianças autistas. Também existe um campo vasto dentro da Terapia Ocupacional.
  4. Psicopedagogo – Geralmente é indicado para os 4 anos em diante, varia de cada médico, para tratar das questões escolares, e desenvolvimento das competências pedagógicas.
  5. Musicoterapeuta – ás vezes é recomendado pelos médicos para estimulação de competências de linguagem, de desenvolvimento  motor de várias outras competências através da música.

Bom aí o que acontece, a criança anda o dia todo de um lado para o outro, nesta história ainda tem a Mediadora ou Acompanhante Terapêutica (AT) da escola, que tem que ouvir orientações dessa galera toda. E os pais tendo que lidar com todo esse povo? E a grana para pegar todo mundo, lidar com todos esses EGOS, e aí??? Como conciliar todos esses horários??? O dia só tem 24 horas, essa criança precisa de intervenção intensiva, não pode dormir tem que ser estimulada, o tempo da correndo… TIC TAC TIC TAC…Precisamos mostrar avanços na próxima consulta com o Neuro…

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Bom e assim vivem as famílias de crianças que necessitam de intervenções multidisciplinares… Como eu sei disso? Já senti isso na pele, dirigir o dia todo, lidar com egos, opiniões contrárias, cada um quer fazer do seu jeito usar sua abordagem. Resumindo um INFERNO… Desculpem a palavra mas foi um momento desabafo aqui… Bom mas o que acontece é que isso, todas essas terapias, sob a ótica da intervenção ABA (Intervenção dentro da Análise do Comportamento Aplicada) isso não é uma intervenção Intensiva… Oiiiiii??? Como Não??? Nãoooooo, desculpem mas não!!!! Por que??? Porque não está havendo uma unicidade de Programas de Ensino Individualizados, não estão sendo trabalhados os MESMOS Programas de Ensino. Por mais que a equipe fale estamos trabalhando os mesmos objetivos, se não está todo mundo seguindo os mesmos Programas de Ensino, fazendo os registros, isso não é Intervenção Intensiva. Portanto todos aqueles resultados que saem nos Jornais Científicos que mostram a intervenção ABA como extremamente eficaz, com melhoras muito significativas, elas não são praticadas dentro desse modelo brasileiro, de mil e um terapeutas cada com com sua avaliação e cada um com seus objetivos. É importante refletir sobre isso, e ter isso claro!!!! Por que será que eu sempre falo que trabalho com Análise do Comportamento nos moldes americanos??? Por que é de lá que vem toda a pesquisa que nós traz o resultados muito positivos, as pesquisas foram feitas nestas bases, portanto se mudarmos, e não fizermos no modelo adequado provavelmente reduziremos cada vez mais a qualidade dos resultados finais.

Mas e agora quem deve estar na equipe??? Não existe uma resposta fechada mas o que eu acredito, o que eu pratico com o meu próprio filho, o que eu tenho BASE CIENTÍFICA, DIVERSOS ESTUDOS, publicados em renomados jornais científicos, é a Intervenção ABA, a elaboração de uma plano de ensino individualizado, elaborado com base em Protocolos de Avaliação e a elaboração de objetivos com base nestas avaliações e posteriormente o desenvolvimento de Programas de Ensino, que devem ser aplicados de maneira intensiva, sistematizada, e sendo feito registros diários dos progressos ou retrocessos da criança. Mas quem vai aplicar??? Não existe resposta fechada, desde que os fatores ditos acima sejam levados em consideração.

É claro que os profissionais poderão e deverão realizar avaliações específicas de suas áreas de intervenção dependendo de cada caso da criança ou adolescente em questão haja vista que podemos ter crianças com autismo e apraxia que precisarão de orientações específicas de uma Fono com conhecimentos em Apraxia. Você pode ter uma criança com maiores problemas motores que necessitarão de um  apoio maior em termos de orientações e intervenções da Terapeuta Ocupacional. Portanto não existe uma receita de bolo, mas se for para ter várias pessoas elas precisam estar INTEGRADAS, e não é só por WhatsApp vendo vídeos dos Avanços das criança e batendo palminhas e colocando coraçõezinhos… São necessários encontros de PLANEJAMENTO, Metodologia de Trabalho, e tudo isso com a participação e ciência da família em todos os passos Ok?!!!

Não fiquem chateados, mas verdades precisam ser ditas, muitas vezes na correria do dia á dia não fazemos o mais correto e sim o mais conveniente, pausas para reflexões são sempre necessárias.

Beijos no coração.

Michelli Freitas

Mestranda em Análise do Comportamento pela UNB.

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