avaliação psicopp

Olá, Hoje estou aqui para falar em especial com você que é Psicopedagogo, mas também com você que é Pai ou Mãe de uma criança Autista. Bom eu sou Psicopedagoga este foi um dos primeiros caminhos que eu busquei em termos de Pós Graduação além da Pós Graduação em Ensino Estruturado para criança Autista na minha busca pelo conhecimento. Mas depois eu vi que aqueles preceitos e instrumentos de avaliação da Psicopedagogia não iriam de encontro com o que é mais apropriado para as crianças autistas e eu vou te contar o porquê abaixo. Vem Comigo???

Bom vamos lá a Avaliação Psicopedagógica é segundo Bianca Acampora no livro: Psicopedagogia Clínica, o despertar das potencialidades como:

“A investigação do processo de aprendizagem do indivíduo, visando entender a origem da dificuldade e/ou distúrbio apresentado. Inclui Entrevista Contratual com os pais ou responsáveis pela criança e /ou pelo adolescente, análise do material escolar, aplicação de diferentes modalidades de atividades e uso de testes para a avaliação do desenvolvimento, áreas de competência e dificuldades apresentadas, anamnese, visita a escola (se for o caso) e devolução”. 

O esquema de trabalho de cada Psicopedagogo pode se diferenciar do que vou lhe apresentar abaixo mas em essência é esta forma:

1ª Sessão – Entrevista Contratual – o Profissional irá te explicar como ele trabalha, valores, tempo de sessão, horários, questões práticas. Eu particularmente acho uma perda de tempo tudo isso pode ser feito por Whatsapp e E-mail, eu sou uma pessoa que aprecia valorizar meu tempo e o das pessoas ao meu redor.

2ª Sessão – Entrevista Familiar Exploratória – EFES – é uma entrevista realizada com a família e a criança, para que seja definida a queixa familiar com relação a aprendizagem e o que a família espera com relação ao atendimento. A criança ou adolescente irá expor sua dificuldade. Já pensou uma criança autista em uma destas sessões? Como ele vai expor? Ele irá chorar a sessão toda, por estranhar o consultório ou não vai parar quieto. Mesmo uma criança típica não tem vínculo nenhum com o profissional será que vai rolar essa troca de falar a dúvida da criança?

3ª Sessão – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA  e acontece da seguinte forma o Psicopedagogo deixa os seguintes materiais a disposição do aluno: papel A4, papel pautado, cola, tesoura, papel colorido, lápis novo sem ponta, apontador, borracha, régua, livros, revistas. E dará as seguintes demandas:

  • “Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer”
  • “Gostaria que você me mostrasse o que o ensinaram e o que você aprendeu
  • Este material é para você usar se precisar para me mostrar o que lhe falei que queria saber de você”
  • “Você já me mostrou como se lê e desenha: agora eu gostaria que você me mostrasse outra coisa”
  • Você pode desenhar, escrever, fazer alguma coisa de Matemática ou qualquer outra coisa que lhe venha na cabeça”

Vou parar nestas sessões…

O psicopedagogo irá observar como o aluno irá fazer uso do material, como irá manusear e o que irá fazer. Agora se eu tenho uma criança com atraso de linguagem que não tem uma boa linguagem receptiva (repertório de ouvinte) ele não irá entender nada o que eu estou pedindo, se essa criança não segue instruções como ela irá fazer esse tanto de coisas? Pois ehhh, e é assim que são os nossos meninos e meninas autistas, entende como essa avaliação não encaixa no perfil de uma criança autista, é querer misturar água e óleo Não Dá Gente!!!!!

Mas não para por aí nós ainda temos as provas Operatórias, que possuem perguntas, indagações que exigem que a nossa criança nós dê respostas verbais vocais ( que ela fale) e aí com fazemos se muitas das nossas crianças não falam ou tem uma fala reduzida? Descobrir a queixa escolar de uma criança autista, não tem importância dessa maneira como trazida pela Psicopedagogia, pois já sabemos que é típico do quadro que do Transtorno do Espectro Autista (TEA) o atraso na linguagem, na interação social, uma coisa leva a outra o que leva á???? Tcharannnnnnn: DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM, é um Transtorno GLOBAL do Desenvolvimento, esse tal de Autismo de fato dá uma ferrada com todas as áreas de desenvolvimento da criança umas mais ou outras menos.

OBS: Existem outras avaliações, estas foram só exemplos, se não o texto ficaria muito extenso…Mas elas não se encaixam…Tanto que nos EUA berço de pesquisa em Autismo ninguém nem sabe o que são estas provas ok? Sorry, não é para ofender só para bater uma real mesmo…

Mas e aí? E agora José o que fazer??? Foi aí que há 3 anos atrás eu descobri que a tal da ABA poderia me ajudar e muitooooooo, e que ela tinha protocolos de avaliação que se encaixavam para as crianças autistas, com atraso de linguagem que permitiam me guiar, para fazer o levantamento de habilidades das crainças, inclusive do meu próprio filho. A Psicopedagogia tem suas bases na PSICANÁLISE que NÃO CONVERSA com a Análise do Comportamento, que muitas vezes ainda considera o autismo como um quadro de Psicose Infantil (ESTOU ME REMEXENDO NA CADEIRA AGORA, DANDO AQUELA RESPIRADA) mas Ok, A gente respeita, Néeeeee???

Então Galera, para terminar se você leva seu filho no Psicopedagogo achando que ele vai resolver as demandas escolares do seu filho autista, talvez não dê muito certo, porque essa não é a maneira mais adequada de tratamento segundo AS PESQUISAS CINTÍFICAS PARA O AUTISMO, e sim a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Mas o que está acontecendo??? Muitoossssssss Psicopedagogos estão percebendo isso e o que estão fazendo??? Indo buscar conhecimentos em Análise do Comportamento, e eu estou aqui para recebê-los de braços abertos e compartilhar o meu conhecimento!!!!

Beijos no Coração,

Até Breve!!!!

Michelli Freitas

Mestranda em Análise do Comportamento Aplicada (UNB)

14 Comentários

  1. Não fiz esses testes convencionais com meu filho. Ele tem 9 anos, nâo é verbal .escreve o nome sozinho. E algumas outras silabas. Algumas palavras pede ajuda.
    Existe algum adaptado pra autismo?

    1. Sim, existe muitas alternativas como o próprio blog diz, meu filho é autista tem 8 anos foi diagnosticado aos 6 anos, começou a falar aos 4 anos, até aos 6 não sabia se expressar verbalmente muito menos reconhecer as letras do alfabeto as escolas nada faziam por ele, foi ai que resolvi estudar e me dedicar a ele. Comecei então com o método fônico e em 30 dias ele ja conhecia todo o alfabeto, passei para a proxima fase usando a fonologia, a codificação do símbolo assimilando com o som, pronto!, mais uns 3 meses ele ja sabia escrever o alfabeto em letra caixa alta, depois passei a ditar as letras e percebi que ja estava fixado o aprendizado, depois de um ano de estudo e com ajuda da T.O. Ele ja reconhece as silabas e faz junção de palavras curtas, ele lê de devagar silabando uma a uma e logo em seguida a identificação da palavra. Hoje posso dizer que meu pequeno esta AL-FA-BE-TI-ZA-DO.

      Parabéns Michelli, lindo texto e um alerta.
      https://www.facebook.com/groups/porummundomaisazul/?multi_permalinks=1035670013236725&notif_t=like&notif_id=1499013330747839

  2. Bom dia Michelle! Concordo com você quando se refere aos testes de avaliação que usamos na Psicopedagogia para o autista (TEA).Com o ABA percebo o avanço e ganho da criança imediato.Infelizmente pela distância, conclui este semestre e tranquei a matricula.Mas não desisti procuro um mais próximo ou online.Agradeço antecipadamente as informações. Bom domingo!

    abraço!!

  3. Sou Psicopedagoga e ministro aula em Pós, mas sempre deixo claro para os (as) alunos (as) que os testes (em minha opinião), não devem ser aplicados para crianças com deficiência, mesmo porque a Psicopedagogia tem como objeto principal as Dificuldades de Aprendizagens e não Deficiência.
    Trabalho com ABA também e sou apaixonada, pois vejo resultados.
    Obrigada por dividir seus conhecimentos.

  4. Boa noite!
    Gostei muito dessa colocação como o psicopedagoga com relação ao autista, pois sou facilitadora de uma aluno de 5 ano do ensino fundamental com essa sindrome e que por sinal ele não fala.Faz acompanhamento com psicologo e T.O.

  5. Oi Michelle, você diz ser psicopedagoga não é!? Mas aqui você vem desconsiderar essa avaliação profissional como um suporte ao diagnóstico do Autismo é isso? Pois bem, eu já venho defender. Sei que existem péssimos profissionais, mas isso ocorre em todas as áreas. Porém, não se pode generalizar. Sou Psicopedagoga e me sinto confiante para observar os comportamentos que levantam a suspeito do Transtorno do Espectro Autista, porém esse diagnóstico é Multidisciplinar, e não cabe apenas ao Psicopedagogo, mas com certeza muitos desses profissionais tem o suporte e conhecimento suficiente para levantar essa hipótese diagnóstica. Não vejo a Psicopedagogia como psicanalítica, eu mesma sou bem pro lado do comportamental. Acho que se deve ter muito cuidado ao julgar um outro profissional e generalizar a profissão. Como disse, péssimos profissionais existem em todas as áreas.

  6. Boa noite!

    Gostei muito do seu texto.Eu acabei de terminar Pedagogia, faço pos em Psicopedagogia Clínica e Institucional e pretendo assim que terminar fazer outras duas pós em neuropsicopedagogia e outra só em Autismo ( esse último é um assunto que me interessa muito).Você elogio o método ABA para os autistas,eu queria saber o que você acha também do método TEACCH?

    Obrigada!

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